Para pacientes com a fibromialgia, a síndrome caracterizada por dor crônica generalizada, que atinge diversas regiões do corpo por mais de três meses, sem evidência de inflamação, desgaste ósseo ou lesão que justifique o quadro. Recentemente, a condição passou a ser reconhecida como deficiência no Brasil e pode ter relação com alterações hormonais, como as que ocorrem na menopausa. A partir de janeiro de 2026, entrou em vigor a Lei nº 15.176/2025, que oficializa a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência no Brasil.
Entre os principais sintomas estão cansaço intenso, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e alterações de humor, como ansiedade e depressão. Apesar de semelhantes aos de outras doenças, na fibromialgia a dor é difusa e persistente. O diagnóstico é clínico e deve ser feito por médico, com base em critérios estabelecidos por entidades científicas, como o American College of Rheumatology.
De acordo com o reumatologista Humberto Campos Clemente, médico que atuou como preceptor da residência de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e integrante da Clínica EV Citi, a origem do problema está no processamento da dor pelo sistema nervoso. “É como se o ‘volume’ da dor estivesse aumentado, fazendo com que o cérebro interprete estímulos normais como dolorosos, fenômeno conhecido como sensibilização central”, afirma.
Embora não tenha cura, a fibromialgia pode ser controlada. O tratamento é multidisciplinar e individualizado, com foco na redução dos sintomas e na melhora da qualidade de vida. “Na maioria dos casos, é possível observar melhora significativa da dor, do sono e da funcionalidade com o acompanhamento adequado”, diz o especialista.
A síndrome não é congênita, mas pode haver predisposição genética. O quadro costuma ser desencadeado por fatores como estresse intenso, traumas físicos ou emocionais, infecções, distúrbios do sono e sobrecarga física ou emocional prolongada. Não há formas comprovadas de prevenção, mas hábitos como manter rotina de sono, praticar atividade física regularmente e controlar o estresse ajudam a reduzir riscos e a intensidade dos sintomas.
Relação com a menopausa
A fibromialgia acomete principalmente mulheres entre 30 e 50 anos. Embora também possa ocorrer em homens, a incidência é maior no público feminino. A menopausa pode intensificar os sintomas devido à redução dos níveis de estrogênio.
Segundo Humberto Clemente, o hormônio tem papel na modulação da dor no sistema nervoso central. “A queda do estrogênio favorece a sensibilização central, aumentando a percepção dolorosa. Além disso, sintomas comuns do climatério, como alterações do sono, fadiga e quadros ansioso-depressivos, contribuem para agravar o quadro clínico”, explica. Ele ressalta que a menopausa não é causa direta da fibromialgia, mas pode atuar como fator agravante ou desencadeante.
Impactos sociais e no trabalho
Desde janeiro de 2026, está em vigor a Lei nº 15.176/2025, que reconhece a fibromialgia como deficiência. A medida garante acesso a direitos como prioridade em atendimentos, cotas de trabalho, aposentadoria especial e isenções fiscais, mediante avaliação individual.
Segundo o especialista, por se tratar de uma condição sem sinais visíveis, pacientes frequentemente enfrentam preconceito. “Isso impacta diretamente a autoestima e as relações sociais e profissionais, podendo resultar em queda de produtividade, faltas ao trabalho, dificuldade de concentração e isolamento”, afirma.
A legislação, segundo ele, representa um avanço ao ampliar a proteção social e o acesso a direitos para pessoas com dor crônica.
Medidas para controle dos sintomas
Especialistas recomendam algumas estratégias para melhorar a qualidade de vida de pacientes com fibromialgia:
Sobre o especialista
Humberto Campos Clemente é médico formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, com residência em Reumatologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atuou como preceptor da residência em Reumatologia do HCFMUSP e integra a equipe da Clínica EV Citi.
Sobre a EV Citi
A EV Citi Terapia Assistida integra o Grupo Cita (Centros Integrados de Terapias Assistidas), especializado no tratamento de doenças raras e autoimunes. A rede reúne clínicas em Salvador e São Paulo, com atuação nas áreas de reumatologia, dermatologia, gastroenterologia e neuroimunologia. A instituição possui acreditação nível 3 da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que certifica excelência em qualidade e segurança do paciente, além do selo DNA USP.